quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

China: Futebol em ascensão

China: Em 2011, Paulo Futre, numa célebre conferência de imprensa de apoio à candidatura de Dias Ferreira para a presidência do Sporting, já tinha avisado do poder que a China iria ter no futebol. Na altura, as palavras proferidas pelo ex-jogador foram ridicularizadas e ninguém as levou em consideração, mas passado 5 anos, o tempo veio dar razão ao atual comentador desportivo. De facto, o pais asiático tem conseguido ganhar destaque e relevo no mundo do futebol, quer seja através dos vários grupos de investidores chineses que entraram nos mais variados emblemas europeus ( Inter Milão, Atlético de Madrid, Manchester City, West Bromwich ), quer seja pelos valores estratosféricos das transferências que os seus clubes têm protagonizado.
A influência chinesa na Europa
Voltando ao início do processo, a China começou as suas reformas no " Desporto Rei ", na década de 90 com a sua profissionalização, mas foi a partir de 2013 que tudo comecou verdadeiramente. O grande responsável por todo este mecanismo revolucionário foi e é o seu Presidente Xi Jinping que é um adepto confesso da modalidade e tem incentivado as diversas empresas chinesas a apostarem no futebol em troca de benefícios económicos, fiscais e sociais. Este pedido parece ter sido muito bem acolhido pelos empresários chineses, uma vez que os 16 clubes que compõem a Superliga Chinesa são controlados por multinacionais com muito poder de investimento. Com efeito, a componente económica é levada muito a sério, e sinal disso é que nenhuma equipa pode ter um lucro abaixo do 1 milhão de yuans, senão desce automaticamente de divisão. Por sua vez, os direitos televisivos e os bilhetes vendidos são todos controlados por uma associação que gere a divisão principal chinesa com o fim de dividir os lucros, no final de cada época, pelas formações que compõem a tabela classificativa mais importante da China. Assim, percebe se o porquê destes emblemas terem tanta capacidade financeira e assim poderem aliciar qualquer jogador, treinador e dirigente do mundo. Outra vantagem, que este país oferece aos grandes nomes do futebol é a sua isenção aos impostos, ou seja, o valor oferecido a um atleta, é o valor total que esse futebolista irá ver cair na sua conta bancária, no final de cada mês. Embora, a China queira trazer notoriedade e popularidade para a sua liga, a mesma não quer deixar de apostar e valorizar os seus jovens, e por esse motivo, reune excelentes academias para conseguir extrair todo o talento e potencial dos seus jogadores nacionais, além de haver uma regra que limita o número de estrangeiros que podem compor cada plantel. Com esta regulamentação, a federação chinesa pretende a evolução máxima dos seus jogadores nativos, para que estes consigam adquirir experiência e bagagem futebolística, um vez que um grande objetivo da sociedade chinesa é ver a sua seleção a participar, regularmente, nos grandes torneios internacionais, como o Mundial.
   Como já foi referido, a China passou a ter mais relevância nas nossas cabeças através das supreendentes e bombásticas transferências que foram efectuadas por todos os emblema chineses. Neste momento, a grande potência da Ásia tem um cartel de jogadores que com toda a certeza seriam titulares absolutos em grande parte das equipas europeias. Com isto, é possível verificar que atletas como Óscar, Ramires, Tevez, Jackson Martinez, Hulk, Ricardo Carvalho, Alex Teixeira, Guarín, entre outras " estrelas " que estão inseridas neste novo fenómeno. Prova desta abordagem louca ao mercado, por parte das instituições desportivas chinesas, é o facto de ter sido a liga que mais dinheiro dispendiou, no último mercado de inverno, tendo superado o investimento feito pelos participantes da Premier League, que até esse período dominavam a " tabela dos gastos ". Contudo, não é só a nível de jogadores que a China tem atacado e evoluído, mas também a nível de treinadores, uma vez que tem a liderar as suas equipas, caras bem conhecidas da nossa TV, como André Villas Boas, Scolari, Pellegrini e Marcelo Lippi. Apesar disso, os dirigentes que gerem o futebol chinês também pretendem contratar os melhores árbitros ( Mark Clattenburg já foi abordado nesse sentido ) e os melhores técnicos de formação. Este " all- in " efectuado pelo governo chinês tem um objetivo bem vincado, que é colocar a liga e a seleção chinesa como referências do futebol mundial. Por agora, assistimos ao crescimento da China no futebol, falta saber se o vai consolidar ou será apenas um momento efémero, tal como a liga americana e a japonesa, que em alturas passadas também tentaram colocar se no mapa futebolístico.

Os maiores ativos da China:

Como podemos observar, na imagem, as aquisições rondam valores astronómicos, que facilmente batem a concorrência na corrida por qualquer jogador, que uma equipa chinesa o encare como alvo ou prioritário para o seu elenco. Recentemente, a China fixou em 20 milhões de euros, a mais cara transferência que envolveu um jogador chinês. O protagonista deste recorde foi um bem conhecido do futebol português, Zhang chengdong que atuou pelo Mafra, Beira Mar e União de Leiria. A nivel internacional, tem permitido aos clubes europeus vender os seus excedentários por números bastante fora da realidade.



Os maiores salários da liga chinesa:             

Tal como mostra o quadro ao lado, o futebol chinês tem oferecido autênticos contratos de sonhos aos jogadores que as suas formações aliciam. O principal motivo da ida de certos jogadores para o continente asiático prende se com o facto de um atleta conseguir angariar mais dinheiro em dois anos num futebol periférico do que ganhá lo na sua carreira toda.